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SOU UMA ESTRELA!

"Eu taci-Spears estou com meus 15 anos.
Não foram 15 anos de vitórias, mas sim de acontecimentos!
Sempre brilharerei. Sou uma estrela."

Taciana de Faria Mangabeira
* 14/06/1993
+3o/12/2008

Taciana de Faria Mangabeira

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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

´"E no ordinário da vida, DEUS se esconde." (Padre Fábio de Melo)

 Taciana Te Amamos Eternamente...
Falar de Taciana. Eu digo falar porque é o que me resta, o que me conforta.

Primeiro quero dizer que a sua "rebeldia" contradizia sua meiguice.

Ela tinha algo peculiar dentro da nossa família. Aqui todos se referem aos seus por "mãe", "pai", "vó", "tia", etc. Da voz doce dela saia "mamãe, papai, vovó, titia"...que saudades dessa voizinha.

Como qualquer adolescente, adorava se vestir bem tinha muitas roupas bonitas e caras. Seus sapatos eram maravilhosos. Os preferidos dela eram as sandálias de salto alto que aumentavam os seus 1m e 75 centímetros de altura.

Diante de tanta dor, molhei as suas roupinhas com minhas lágrimas, eu e a família achamos por bem, doar o mais rápido possível todos os seus bens materiais. Eles não a trariam de volta, e ficar com eles causaria mais sofrimento. Bem material não tem valor algum, a preciosidade está no amor que sentimos.

Doamos suas “coisas” para uma instituição fora de Uberaba, na cidade de Araguari, aqui em Minas mesmo. Não queríamos ter o dissabor de ver alguém aqui em Uberaba andando nas ruas usando o que foi dela. Fatalmente reconheceríamos.

A Taciana, aparentemente não tinha motivos graves, para tirar a sua vida. Mas a verdade é ela tirou. Já não está mais entre nós.



Eu e a Taci, éramos mais do que Tia e sobrinha, éramos amigas. Mas eu não podia isentar o meu papel de responsável por ela.

E sem máscaras admito em relação ao namoro dela eu pegava no pé dela sim. Não achava certo eu chegar da faculdade onze horas da noite e pega-la no portão namorando de forma imprópria. Colocava horário para namorar sim e cobrava um namoro com limites. Hoje carrego nos ombros a cruz da culpa. E ela é tão pesada. Não me eximo de minha culpa, porém existe um fato que alivia esse peso. Testemunhas relatam no inquérito policial dela que antes dela cair, ela falava nervosa e desesperada com alguém ao celular. Celular esse que foi roubado de uma maneira atroz. Estava lá o corpinho dela jogado metade na calçada, metade no asfalto e o celular caído ao lado. Alguém sem pensar que aquele celular poderia desvendar o “mistério”que a morte dela se tornou , agiu de forma canalha e desumana, aproveitando a confusão do momento e roubando o celular dela.

Agora estamos no aguardo da Justiça. Solicitamos uma quebra de sigilo. Acredito que em breve saberemos com quem ela falava tão exaltada ao celular. E assim descobriremos o real motivo da sua insana decisão.

Se o motivo foi o meu zelo excessivo...eu tenho perdido perdão a DEUS todos os dias e sofrido muito, podem ter certeza. E eu estou disposta a fazer qualquer sacrifício para pagar pelo meu crime..

Voltemos a falar de Taciana. Lembro-me de sua última manhã de vida. Foi no dia 30 de dezembro de 2008. Eu acordei bem cedinho, animada para passar a montanha de roupas que me esperava. Armei a mesinha de passar roupas na sala e coloquei o DVD do Roupa Nova Acústico 1. O som estava baixinho para não acordar a minha princesinha. Mas passados alguns minutos ela acordou e veio saltitante para a sala dizendo “OBA ROUPA NOVA!” Se jogou no sofá e alegremente cantava as canções do grupo que ela tanto gostava. Notei seus olhinhos inchados de tanto dormir e o lado da face esquerda amarrotada. Imagino que dormiu profundamente de um lado só.

Não quis tomar café da manhã. Quando a mãezinha nos chamou para almoçar, tinha duas opções de carnes: Peixe e Bife.

Lembro- me de perguntar a ela: “Tacinha você vai querer carne ou peixe”. A sua resposta por alguns segundos me deixou emocionada “Titia hoje vou comer como Jesus Cristo, só PEIXE!”

Após o almoço tive de sair. Demorei por volta de 1 hora. Nesse tempo ela arrumou a cozinha, tomou banho, lavou os cabelos, colocou uma roupa nova que eu havia dado de Natal a ela, e saiu falando para a “Vovó”, que iria a Lan House. Apesar de termos computador em casa ela adorava a “badalação” da Lan House.

Quando Taciana saiu de casa e deu seu último beijo na “Vovó”, ela saiu sem alardes de que uma tragédia iria se concretizar.

Quando cheguei a casa, a primeira coisa que fiz foi perguntar por ela. Minha tia que estava lá me disse que ela havia ido a Lan House. Minutos depois o seu namoradinho chegou ofegante e desesperado perguntado pela Taci. Respondi o que haviam me dito, mas ele atordoado me disse que tinha ligado no celular dela e alguém atendeu dizendo que a “dona”do celular havia pulado de um prédio, falou o nome do prédio e falou para ele ir pra lá correndo.

Eu de primeiro momento não acreditei. Achei que fosse um trote. Enquanto conversávamos na calçada de casa sobre isso passou uma viatura de polícia. Parei a viatura para pedir informações. E os policiais confirmaram o Boletim de Ocorrência, de que uma jovem havia pulado do Manhattan. Mas ele não soube me falar nome nem nada, mas me ofereceu para me levar até o Hospital de Clínicas de Uberaba para averiguar. No desespero fomos eu e o namorado dela. Ele não podia entrar, pois era menor. A notícia que tive lá no Hospital é que se tratava de uma jovem desconhecida, e eu com a suspeita de ser parente, queriam que eu a visse na sala de cirurgia para reconhecer a jovem. Eles ainda tentaram salvar a vida dela por 30 minutos. Foi inútil. Como eu não a quis ver, por medo de ser ela mesmo e estar muito machucada...

A assistente social sugeriu que eu visse a roupa da paciente para reconhecer. ..Aceitei.

Quando eu vi ela caminhar ao meu encontro com aquela sacolinha transparente a primeira coisa que vi foi a rasteirinha que ela mais gostava. Em segundo plano minhas vistas alcançaram a blusinha amarela dela, que já não mais amarela, mas tingida do vermelho de seu sangue.

Naquele momento a minha espinha congelou, o meu estômago embrulhou e sem ninguém me dizer nada eu abracei a sacolinha e no meu coração estava a certeza de que ela havia partido.

Logo foram chegando os parentes. Todos desesperados em saber como ela estava. Eu já sabia. Acredito que foi Jesus quem me contou através do seu Espírito Santo. Mas enquanto aguardávamos, apesar da certeza eu pedia um milagre para DEUS. Mas o “milagre não se deu como eu pedi” (Padre Fábio de Melo).

Depois que veio a confirmação de seu falecimento, o único sentimento de Bem que existiu naquele hospital, foi a minha decisão e do pai dela de doar os seus órgãos.



No momento da dor, DEUS visitou a minha alma e me disse que daquela tragédia muitas vidas poderiam ser salvas...

Por Hoje, me despeço de todos os Queridos que visitam o meu Blog. Em um próximo POST vou contar de pessoas que conheci que receberam os órgão dela e hoje vivem, vivem, vivem e eu sobrevivo a dor...

Abraços Fraternos.